Como ficou Pokémon competitivo na Sexta Geração?



Comparado aos seus antecessores da quinta geração, os jogos da sexta geração de Pokémon trouxeram um foco quase que total em seu multiplayer competitivo. A iniciativa deu estupidamente certo, a Pokémon Company investiu e Pokémon está indo cada vez mais para o caminho que outros jogos tomam hoje em dia, dos grandes torneios de E-Sports. A Sexta geração foi um convite para que muitos jogadores entrassem de vez nesse meio competitivo e saudoso. 



X/Y

Pokémon X/Y e OR/AS foram claramente feitos para focar no cenário competitivo. Todo o motor multiplay do jogo foi reformado para melhorar a experiência do jogador. Os acessos às breeds foram facilitados, o acesso online foi simplificado, o acesso às Hidden Abilities foi simplificado! Pokémon X/Y abriu portas para muitos novos treinadores, incluindo o Brasil como um todo. Pela primeira vez um brasileiro foi ao mundial de Pokémon, novas vagas foram abertas, torneios se espalharam pelo país. Foi uma época muito boa, como não se via por muito tempo no cenário competitivo de Pokémon.

Logo de começo, Pokémon Company tomou uma atitude e decidiu limitar o número de turnos de mudanças climáticas nas batalhas. Isso finalizou de uma vez por todas as weather wars, entretanto os Mega Pokémon acabaram se tornando um ponto fundamental do metagame. Não pense que isso é bom sempre, pois o primeiro problema que tivemos na geração foi com a Mega Kangaskhan. O monstrinho poderia atacar duas vezes por turno, isso misturado ao golpe Power-up Punch, que aumenta seu ataque toda vez que usado e ainda causa danos, levou a comunidade à implorar que Smogon que banisse a mega. A própria Pokémon Company pensou em atualizar os games para nerfar a Kangaskhan.


O monstrinho seguinte na mira da Smogon foi o Mega Gengar. Nas palavras de um amigo meu, ''Mega Gengar é um Pokémon que não sabe brincar''. O fato é que sua habilidade, Shadow Tag, prende o monstro oponente em campo, permitindo que ele faça o que faz de melhor: atacar. Quase junto com o Mega Gengar, houve a limitação de Pokémon que pudessem usar Baton Pass por equipe, pois sem os monstrinhos mais ofensivos, Baton Pass era uma chance de Pokémon mais fracos terem uma boa chance. Alguns treinadores exageraram e isso acabou congestionando todo o metagame.

E como esquecer dos monstrinhos que estrearam em X/Y e deram o que falar? Talvez a maior adição de todas tenha sido o tipo fada, que neutralizou a dominância dos dragões e nos deram alguns dos tankers mais fofos de todos os tempos, como Florges e Sylveon. E pela primeira vez o pássaro genérico da geração brilhou: Talonflame, ou você ama ou odeia. Com a inédita habilidade Gale Wings, Talonflame ganha prioridade para todos os seus movimentos do tipo voador. Ele foi o pesadelo da grande maioria dos treinadores no começo da geração. Aegislash brilhou, como um Pokémon defensivo e ofensivo, entretanto no fim, quase nenhum monstrinho da geração X/Y conseguiu avaliações altas nos últimos Viability Ranks sem serem esses citados.






OR/AS

Quando OR/AS chegou, Rayquaza se tornou um dos Pokémon mais poderosos já criados, podendo utilizar a mega evolução sem pedra, tendo uma base de força maior que a do próprio Mega Mewtwo, antes o Pokémon mais forte. Tudo isso não só acarretou seu banimento mas a criação de uma tier só para acomodá-lo, no caso a Anything Goes: Mega Rayquaza conseguiu a proeza de ser banido da tier Uber!


Por outro lado, Mega Metagross se consolidou como um dos monstrinhos mais fortes já feitos, mas de uma forma mais equilibrada. Ficou, e ainda fica, muitas vezes na mira da Smogon.

Mega Salamance também não se salvou, foi uma decisão quase que unânime que o monstrinho era um pesadelo em campo com sua habilidade Aerilate, que torna golpes do tipo normal em tipo voador. Sua velocidade altíssima e poder ofensivo elevado o trouxeram para a tier Uber. Por outro lado, outras megas se estabeleceram fortes no metagame. Como Mega Lopunny, Mega Sableye e Mega Diancie se firmaram como bons e confiáveis sweepers. Um grande problema que infelizmente surgiu com OR/AS e que a GF esperou até o último minuto para nos revelar, foi que as mega pedras de OR/AS não seriam compatíveis com X/Y, ou seja, se quer podemos batalhar com jogadores que usam X/Y usando mega pedras de OR/AS. Isso gerou um pouco de revolta, já que meio que forçava uma atualização. 


O caso do Greninja não foi tão grave, mas ainda assim pegou muita gente de surpresa. Em OR/AS os tutores retornaram e com eles trouxeram uma infinidade de novas possibilidades. Como por exemplo não ter quer ficar pegando breed de Rotom do B2/W2 pra ter acesso ao maldito Pain Split. Isso aumentou o arsenal da maioria dos monstrinhos que haviam sido introduzidos na geração X/Y. Greninja, por exemplo, ficou apto a aprender o golpe Gunk Shot, um poderoso golpe do tipo venenoso, aliado a sua habilidade Protean, estremeceu toda a tier OU. Por fim, Hoopa e Volcanion conquistaram seus devidos espaços, e ainda temos muito o que descobrir sobre ambos.





Inovações

A sexta geração, como já disse, abriu de vez as portas para que novos jogadores começassem sem dificuldade no meio competitivo. Agora as breeds são menos complexas e existem medidores de IVs dentro do jogo. Dessa forma, não somos obrigados a fazer um cálculo absurdo e complexo para determinar as IVs de um monstrinho. O acesso às Hidden Abilities e de Pokémon com pelo menos duas IVs foram facilitados, tornando a breed um processo bem mais rápido. 

O Pokémon Bank foi outro recurso que veio para facilitar a vida de quem joga competitivamente. Deixando seus preciosos monstrinhos salvos fora de seu frágil cartucho do 3DS. Além disso tem espaço para até 3.000 Pokémon, ou seja, liberdade para criar times é o que você mais tem.




O que vem por ai?

Desde o começo do ano, o que domina no metagame são times mais defensivos. Monstrinhos Stall estão cada vez mais subindo e por enquanto, o Metagame se estabilizou. Isso deve continuar, pelo menos até Sun e Moon, quando as coisas começarem a se agitar novamente. Provavelmente essa será a última geração no 3DS, portanto devemos ter reformas bruscas em todos os sistemas. Com a possibilidade de transmitir monstrinhos das versões Red, Blue e Yellow para Sun e Moon, teremos novas estratégias e possibilidades. Por enquanto, só temos detalhes dos dois lendários, mas já especulo que Solgaleo será bem ofensivo e Lunala mais defensivo. Como de costume os dois já tem lugar mais que garantido na tier Uber.

É importante ressaltar algo que foi dito logo no lançamento de X/Y por Masuda, que ficou na minha cabeça. Masuda disse que a partir de agora, eles não focariam mais em novos Pokémon ou mecânicas, mas trabalhariam para equilibrar e melhorar tudo que já existe em jogo. Portanto, não esperem uma quantidade grande de monstrinhos e itens novos nessa geração também. O jeito é esperar para que a GF trabalhe bem nesse jogo, visando não só os competidores, mas também um público mais casual que também representa uma grande parcela dos treinadores por aí. 


Pokémon X/Y sofreu do mesmo problema que Street Fighter V está sofrendo, por exemplo. O foco do jogo é quase que total em seu público competitivo, e limita o conteúdo single player. No caso de Pokémon X/Y o modo história foi facilitado e reduzido, então perdemos os desafios de jogo que agradavam uma boa parte do público. Pelo que eu vi dos trailers até agora, Sun e Moon parece querer arrumar esse erro, mas eu acho pouco provável. 

Pokémon está crescendo muito, sua comunidade competitiva só aumenta. Esperamos ansiosamente Sun e Moon, não só pelos novos Pokémon que virão, mas pelas novas possibilidades que serão abertas. Jogando X/Y competitivamente eu fiz tantos amigos e passei momentos excelentes. Tudo que espero é que Sun e Moon consiga suprir a expectativa de fazer muito melhor que seu antecessor. Chega logo Novembro...
em 04/06/16
Comentários
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2 comentários:

  1. Walisson Kenedy Siqueira04/06/16 23:29

    ótima matéria!

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  2. "A própria TPC pensou em nerfar o Kangashkhan..." - Quando falaram isso?

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