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Biomothim: Applin e sua linha evolutiva!


Como vão treinadores!

Voltamos com tudo com o Biomothim, e peço as mais sinceras desculpas a todos vocês que acompanham a série. Problemas universitários impediram a continuidade da série, mas voltamos a todo vapor. Nesta edição, vamos discutir sobre uma linha ramificada, que pode variar dependendo da "alimentação" do Pokémon. Estamos falando de Applin, a pequena larvinha da Região de Galar e sua linha evolutiva: Appletun e Flapple.

Para descrever essa linha evolutiva, primeiro devemos entender o conceito de especiação utilizado. Lembrando que, para nós biólogos, um evento de especiação é aquele que leva uma espécie a originar duas ou mais novas espécies.

Quando olho para Applin, o conceito que melhor se encaixa é o de especiação simpátrica. Esse tipo de especiação é caracterizado pela habitação de uma mesma região por membros de uma mesma espécie, porém estes não cruzam entre si, existem divergências genéticas nos indivíduos. Derivaram de um mesmo ancestral, habitam o mesmo local, porém não se reproduzem entre si, e suas divergências não surgiram por nenhum fator geográfico (aos nos referirmos a barreiras geográficas, podemos estar nos referindo a rios, elevações, ou qualquer outro fator que separe uma população).

Neste post não iremos discutir sobre as formas G-Max das espécies. Iremos guardar para um futuro especial

Para entender melhor, vamos dar um exemplo: Suponhamos que exista uma espécie de mosca que habita uma região hipotética. Parte dessa população passa em determinado período a se alimentar em uma árvore que produz frutos verdes, e outra parte passa a se alimentar em uma árvore que produz frutos vermelhos. Com o passar do tempo, essas duas populações podem deixar de se reproduzir entre si. Notem que ambas surgiram de um único ancestral, e não houve nenhuma barreira geográfica impedindo separasse as populações, e sua impossibilidade de se gerar prole fértil veio a partir de alguma modificação genética quando as duas se distanciaram.

Esse tipo de especiação é um tipo bem raro de ser visto. Quando temos a presença de barreiras geográficas separando o fluxo gênico de uma população, o evento de especiação recebe o nome de alopátrica. Esse tipo de especiação na franquia pode ser por exemplo explicação para as variantes regionais.


Com Applin podemos dizer que algo parecido pode ter originado as duas distintas evoluções. Para que a pequena larva consiga evoluir para alguma das duas formas, Applin precisa comer a maçã onde se esconde, e dependendo do sabor da maça, assume uma das duas formas. Para que evolua para Flapple, a maçã ingerida precisa ser azeda, e para evoluir para Appletun, a maçã precisa ser doce. Nos jogos, conseguimos uma versão diferente da maçã dependendo da versão do jogo na qual escolheu (Sweet Apple na versão Shield e Tart Apple na versão Sword).


Poderíamos dizer que o caso de Applin e as demais espécies Pokémon com linhas evolutivas ramificadas se desenvolveram por eventos de especiação simpátrica. O sabor da maçã está diretamente relacionado a evolução atualmente, mas o mais curioso de tudo isso é pensar em um fato que levou uma única espécie a possuir duas formas distintas.

Podemos muito bem imaginar que dentro de determinada localidade populações de Applin começaram a se dispersar para macieiras diferentes, onde cada uma passou a se desenvolver separadamente. O que levou as populações a adquirir divergências genéticas tão distintas é quase impossível dizer com certeza, mas podemos levantar hipóteses. Cá entre nós, minha hipótese leva em conta a dispersão das maçãs pelo terreno onde vivia a população de Applin.


Sabemos que frutos caem quando estão ligeiramente maduros, logo podendo estar ou não adocicados. Nesse momento, entra em cena nossa especiação simpátrica, com a população de Applin que se alimentava de maçãs dispersas no solo, e aqueles que passaram a se alimentar de maçãs ainda dispostas nas árvores. Com o passar dos anos, na ação da seleção natural, as espécies do solo passaram por modificações que auxiliaram em sua movimentação, que é o caso de Appletun e sua forma quadrúpede. Já Flapple passou por divergências genéticas que colaboraram para sua características voadoras (não fazendo referência a tipagem, apenas a locomoção). Temos então, um primeiro passo para entender a evolução da pequena lagarta da Região de Galar.


Algo que refuta todas as teorias possíveis, é o fato de um único Applin conseguir evoluir para duas formas distintas, basta apenas comer seu sabor de maçã específico. Esse fato contradiz as teorias elaboradas pois, com o passar do tempo, espécies que passam pelo processo de especiação simpátrica deixam de se reproduzir entre si, e assim, podem perder a capacidade de gerar descendentes férteis. Um grande exemplo? A mula: Podemos cruzar uma égua e um jumento na vida fora da franquia e gerar uma mula. Por mais que as espécies sejam diferentes, podem gerar um híbrido, a mula. Porém o híbrido gerado não possui a capacidade de se reproduzir.

Esquema ilustrativo do cruzamento que origina mulas

Pelo que vemos, Applin carrega consigo uma maleabilidade genética. Quando duas populações se separam como foi citado anteriormente, elas podem parar de se reproduzir entre si. Porém o que levamos em conta para explicar tal fato foi que as espécies não perderam o costume de se reproduzir, e mantiveram essa carga gênica vasta nas espécies de Applin atuais. 

Como dizemos dentro da sistemática na biologia, de forma lúdica, seria possível afirmar uma hipótese evolutiva apenas com uma máquina do tempo, observando de perto por toda a história de uma espécie. Devo lembra que esta série tem por fundamento apenas analisar as espécies e gerar uma hipótese sobre as mesmas utilizando de informações e métodos científicos dispostos nas literaturas biológicas.

Com isso concluimos o Biomothim de hoje, deixando mais uma teoria pra vocês debaterem. Deixem nos comentários seus pontos de vista, lembrando de sempre respeitar o ponto de vista e opinião do outro. ^ ^

Um ThunderShock pra vocês!

Sobre Gabriel Henrique
20 anos, estudante de Ciências Biológicas, mora em Paraisópolis-MG. Curte animações e filmes de ficção, é amante da música desde muito cedo, multi instrumentista. Tem um grande amor por Pokémon, seu preferido é o Chandelure.
E-mail: equipe@pokemothim.net

3 comentários:

  1. Walisson Kenedy Siqueira16/01/2021 07:46

    Muito boa a discussão, parabéns! Uma forma de solucionar o impasse final poderia ser considerar não apenas tipos de espciação, mas sim, a plásticidade fenótipica da espécie do Aplin

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  2. Gabriel Henrique16/01/2021 19:31

    Seu comentário com certeza é um do motivos pra continuar com a série ^^ eu não havia considerado a plasticidade fenótipica, mas agora que disse realmente faz bastante sentido, da pra incorporar na teoria. Muito grato pelo comentário e por sua dica, irei continuar com o Biomothim com uma nova perspectiva.

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  3. Parabéns muito bom

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