Olá, Thunders!
Depois de algumas matérias sobre o arco final do Ash, nada mais justo do que tratar um pouco sobre a série Jornadas como um todo. Agora que sabemos que, supostamente, Goh realmente entrou no anime para substituir o Ash – supostamente porque em momento algum isso foi oficializado, mas é o mais "óbvio" a se pensar diante do que temos atualmente –, podemos enumerar uma sequência gritante, que não se resume às que irei citar, de decisões questionáveis no que diz respeito ao Ash em sua série de adeus ao anime.
Sim, sei que Ash pode voltar a ser protagonista se as coisas desandarem e que pode participar de outras formas da franquia, mas estou trabalhando com o que temos oficializado: o adeus de Ash. Sendo assim, desejo que tenham uma excelente leitura!
Vamos começar pelo mais óbvio e absurdo: reduzir o protagonismo de Ash na série em que deveria ter o seu auge. Quem foi que teve essa ideia? Quem? Antes que isso vire uma possível discussão desnecessária, lembrem-se que essa é uma análise feita a partir do ponto de vista da despedida do Ash, óbvio que o coprotagonismo foi muito positivo, em termos de tempo e desenvolvimento, para o personagem Goh. Mas, em que universo dividir o protagonismo do Ash é uma ideia boa na série final do personagem? Pensando um pouco, acha-se uma lógica: vamos acostumar os fãs com o novo protagonista, sem tirar de vez o antigo. Essa "passada de bastão", literalmente construída em Jornadas, é a única explicação plausível, o que não a impede de ser questionável.

Primeiramente, esse coprotagonismo foi uma grande farsa. Ash estava mais como mentor do Goh do que protagonista de igual para igual. Prova disso é que Goh tinha maior frequência de episódios voltados para ele, algo que mudou somente no início de 2022, terceiro ano da série; e, mesmo em episódios que teoricamente deveriam ser do Ash, o roteiro passava o destaque para Goh (como no primeiro reencontro com a Turma de Alola e com os Pokémon no Laboratório do Professor Carvalho), enquanto o garoto Ketchum era bem morno nos episódios do amigo. As próprias escolhas do roteiro indicam isso, como Ash e Cloe serem os amigos do Goh, muitas vezes visualmente se configurando exatamente dessa forma, com Goh no meio e os amigos cada um de um lado (representação que também passou a oscilar, mais do meio para o fim da série).

Essa dualidade entre os protagonista se mostrou bastante problemática para o desenvolvimento do Ash, uma vez que situações que davam haters ao personagem passaram a ser normalizadas no anime sem que ele aproveitasse disso. Por exemplo, o mesmo Ash que era contra a captura de Lendários, passou a apoiar Goh a fazer isso, sem demonstrar qualquer interesse pela ideia. Nesse ponto, é preciso citar três detalhes: primeiro, Ash não é contra capturas, ele apenas não tem o gosto de sair capturando desenfreadamente, mas, durante todo o anime, ele mostrou vontade de capturar sem que criasse um laço antes, até em Jornadas fez isso com o Farfetch'd de Galar; segundo, "ah, mas, antes de Jornadas, ele pegou Poipole e Meltan", ambos sem saber das suas condições de Lendário e Mítico, além de o primeiro ter sido para fins de pesquisa; terceiro, para quem diz que Ash em todas as suas tentativas de capturas fez isso por criar um vínculo (o que é uma mentira, apesar de esse ser um traço forte dele), bastava o roteiro criar uma situação propícia para isso, mas não quiseram.

Fato é que, sem uma explicação dentro da própria história, fizeram Ash se tornar liberal com a ideia de capturar Lendários – algo que fazia muitos fãs dos jogos criticaram o personagem, desconsiderando completamente que, no anime, o papel desses Pokémon na natureza era levado em conta –, mas não quiseram que o herói vivenciasse isso, apenas apoiasse o novo protagonista. E isso serve para uma série de decisões. Enquanto outros grupos de fãs ansiavam por conhecer mais do passado de Ash, seu pai, vê-lo ter episódios inteiros cuidando dos seus Pokémon no Laboratório do Professor Carvalho, etc; fomos ganhando um novo protagonista que explorava isso tudo. Então, ao invés de, na despedida do Ash, vermos ele realizar coisas que sempre quisemos (estou generalizando, que fique claro, até porque eu mesmo não fazia questão de alguns desses pontos), o roteiro nos deu outro protagonista com tudo isso.

E, como se não bastasse rechearem o novo protagonista descaradamente com aspectos que haters do Ash cobravam dele, Goh foi absorvendo muitas características do próprio ao longo de Jornadas. Que ambos têm suas diferenças é óbvio, literalmente existiram muitos episódios só para reforçar isso, mas o Goh mais frio, técnico e calculista foi morrendo com o decorrer da série. Ele passou a criar forte vínculo com os Pokémon, a arriscar a própria vida, jogar-se na frente, assim como Ash fez lá nos primeiros episódios e o deixou com os olhinhos brilhando. Em batalhas? Também! Pudemos ver Goh abusar de estratégias diferenciadas, como bem reparava que Ash fazia, outra das suas marcas dentro do anime. Assim, Goh, ainda com sua unicidade, ia assimilando mais características marcantes do Ash como protagonista.

Sabemos que, em muitos cantos, o novo herói se tornou bastante impopular, o que provavelmente levou o desfecho de Jornadas a ter mais foco no garoto Ketchum e mudar os possíveis planos de seguir o anime com a história do Goh. Contudo, antes mesmo disso, com Ash tendo menos destaque na série, isso afetou pontos do seu desenvolvimento dentro dela. Um exemplo que pode ser citado é seu time. Um time fantástico, diga-se de passagem, mas com muitos problemas. A começar pela divisão de foco. Quando um tinha foco, os demais pareciam que tinham sumido, e ficavam revezando. Muitos eram treinados apenas no off-screen. Isso prejudicou demais, principalmente porque o anime tinha que dar espaço para os episódios focados no outro protagonista também. Ainda abusaram da estratégia de darem uma Dragonite e um Gengar, ambos na última forma, para que esses não precisassem passar por um arco de foco como Lucario e Sirfetch'd, sob a lógica contraditória de já serem fortes por estarem evoluídos. Gengar até ganhou depois, mas rapidinho por conta do Gigamax.

Porém, o pior nem é isso, mas que esse time, recém-formado, um time "bebê", foi o responsável por derrotar os times treinados há anos pelos demais campeões. Mais especificamente os três maiores campeões dentro do universo do anime. Na série de despedida, de retornos do passado, não usar os Pokémon antigos, sobretudo nessa competição que criaram, pesou muito negativamente, ao meu ver. Nem sequer fizeram a tão sonhada rotação. Ou melhor, aconteceu no arco final, por apenas 10 episódios, mas não trouxeram todos os Pokémon antigos de volta. Mais de cem episódios, e a maioria dos Pokémon libertos ou só cuidados que foram destacados por Jornadas como antigos parceiros do Ash não tiveram um reencontro, como o tão injustiçado Primeape.

Nesse tópico, continuidade, Jornadas demorou para fazê-la organicamente, era tudo muito pontual de início. Depois, melhorou. Ainda assim, em muitos pontos parecia que poderia ter havido mais ali, que foi mal feito, que foi jogado. Em outros, não seguiram a continuidade. Por exemplo, quando foram ao Dojo de Saffron, pois, devido aos eventos da Batalha da Fronteira, não era para ser aquele mestre ali, mas sim a mestra Terri. Trouxeram Greninja apagando a existência do Ash-Greninja, Lapras regredindo o seu amadurecimento. Com os antigos companheiros de viagem, alguns seguiram bem a continuidade e progrediram, outros não.

Dawn teve participações muito divertidas, voltou em mais de dez episódios, mas os roteiristas não tiveram coragem de mostrar uma fita nova, ou contar uma história pela boca da personagem que mostrasse desenvolvimento; evitaram mostrar Tracey até os últimos episódios gratuitamente; fizeram Brock voltar ao grupo para treinar a fraqueza por mulheres sem nem realmente desenvolverem isso; negaram-se a mostrar o time de campeã da Iris; Cilan rodou o Mundo Pokémon sem nenhuma captura nova; depois de reencontrar o pai, Lílian ficou sem objetivo; Lulú e Vitória parecem ter desistido de se intensificar nos treinos, como foi decidido pós-Liga Alola. Muitos dos retornos foram bons? Sim, mas, quando você tem a noção de que foram a despedida, alguns deles se tornam um pouco vagos, ou somente "poderiam ser melhores".

E como se não bastasse Ash e seus amigos não terem ganhado um final digno, ainda vem a Equipe Rocket. Resolveram deixar que usassem seus Pokémon do Quartel General só nos três episódios finais da série. Poderiam ter feito isso desde o início. Pelo contrário, ficaram usando Pokémon do quartel, mas aleatórios, em um sistema bastante chato e previsível. A série dos reencontros não proporcionou que reencontrassem Dustox, Cacnea, Chimecho, Growlith, Blissey, Victreebel e Lickitung. E não precisavam ser todos. Mas, certamente, o pior foi Arbok e Weezing. Além de terem sido os seus primeiros Pokémon, eles não foram embora porque quiseram, foi porque precisaram. Fazer esse reencontro aqui seria perfeito, mas também plausível, já que passaram novamente por Hoenn e seria justificável que voltassem ao time. De novo, partiram porque precisaram, não porque quiseram.

Mas, sabemos que Jessie, James e Meowth não eram os verdadeiros inimigos do Ash, mas sim Giovanni, em termos de ser o chefão da equipe vilã que estava sempre se envolvendo nos planos do herói. Não tivemos uma nova situação de interação entre eles ao longo de Jornadas, a Equipe Rocket seguiu firme e impune, Ash nunca a derrotou como aconteceu com todas as outras, Giovanni teve conhecimento de Pikachu se tornar "O Pokémon mais forte do mundo" e não deu em nada. Tudo isso poderia ser melhor explorado nessa série final e foi ignorado, em planos soltos e pouco preocupantes, como quando o grupo da Matori sequestrou Pikachu brevemente ao lado de vários outros Pokémon, sem que tenha sido intencional.

E as batalhas? Mais do que nunca, Ash só pensava em batalhas, chegava a ser forçado. Para enfatizar a diferença entre os protagonistas, Goh queria a todo tempo capturar e Ash a todo tempo batalhar, muitas vezes tirando a leveza das situações. Isso também foi reduzindo com o tempo, mas, por exemplo, Ash não conseguia observar um grupo de Beautifly voando que queria partir para a batalha, só para reafirmar essa diferença. Por outro lado, víamos o garoto encontrar Líderes de Ginásio, descobrir sobre uma liga em Galar e não demonstrar o mínimo interesse. Nenhum. Se, pelo menos, criassem uma regra de que não poderia pedir batalhas oficiais de ginásio enquanto estivesse participando do campeonato. Mas, não, Ash tinha total direito de fazer as duas coisas, estava sendo retratado com uma sede infinita de batalhas, e não mostrava curiosidade alguma pelos ginásios de Galar e por derrotar alguns dos seus líderes. Detalhe, Jornadas nem mesmo permitiu que Ash conhecesse todos.

E o já mencionado Campeonato Mundial Pokémon ou Campeonato da Coroação Mundial? Eu não acho que foi a pior decisão do mundo, mas foi feito de forma corrida, poderia ter sido muito melhor explorado, Ash saiu vencendo a maioria dos combates, muitos outros personagens de Galar e antigos poderiam ter sido retratados, parte dessas batalhas aconteceram em off-screen e temos um Torneio dos Oito Mestres divisor de águas. A ideia de juntar os campeões das oito primeiras regiões foi grandiosa, foi marcante, mas executada de forma igualmente questionável. Algumas das batalhas foram péssimas e nada críveis – Ash contra Steven que o diga –, muitas vezes um personagem precisou tomar decisões extremamente burras para o outro vencer, foi criada uma aura exagerada de superioridade de Leon que parece incompatível com sua derrota pelo Ash. Ainda assim, também tiveram seus pontos positivos que não cabem aqui ser citados.

Tivemos, então, uma série de despedida do Ash que diminuiu o seu protagonismo, entregou pontos que os fãs queriam só nos 11 episódios finais (rotação, Brock e Misty, retornos de Pokémon libertos), atrapalhou o desenvolvimento do seu time atual, jogou o herói em uma competição apressada para entregar um desfecho não tão crível, tentou descaradamente tornar um novo personagem mais interessante do que ele, deixou seu maior inimigo intacto e concluiu suas aventuras de forma tão covarde que nem sequer realmente o permitiu ter um final. Poderia continuar traçando outros pontos, mas acho suficiente me limitar a esses. Foi uma boa série de despedida? Compartilhem as suas opiniões, adorarei ler, contanto que sejam colocadas com respeito!
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