Especial de Halloween: Aquela que você esqueceu

ATENÇÃO!
ARTIGO NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS, POR CONTER MORTE INTENCIONAL.



Não... Você não é aquele...



Estou há dez anos a procurá-lo.


Nasci em uma região bem distante de onde tudo aconteceu.

Quando era pequena, minha cidade natal era super movimentada e metropolitana.
Todos a conheciam como a Cidade da Luz.


Mas agora...

Tudo o que eu tenho é escuridão.



E TUDO POR CAUSA DELE!!



Lembro de como tudo era tão puro. De como era seguro brincar nas alamedas e praças. Bastava montar em um Gogoat e sair! Ou, como eu fazia, montava em um dos meus próprios Skiddos, gêmeos queridos, para chegar onde quisesse! Mesmo que minha mãe quisesse croissants do outro lado da cidade, na Avenida Norte.


Minha mãe... Meus Skiddos... Que saudades! Faz tanto tempo que não os vejo! Não foi minha intenção os abandonar naquela tarde. Eu não sei de onde surgiu aquele... buraco! Mas eu não consegui fugir... Quando dei por mim, eu fui sugada por ele! Espero que não estejam esperando por mim ainda, meus Skiddos.  Ainda bem que vocês conseguiram fugir, meus queridos... 

Não gostaria que acontecesse com vocês, o que aconteceu comigo.



Eu fiquei perdida por dias numa terra desconhecida, cercada de criaturas que nunca havia visto antes! Cada passo que davam, a terra parecia tremer com o peso daqueles gigantes. Eles tinham bocas que comiam tudo o que vissem! E pareciam não ter fundos... só devoravam e devoravam sem parar.  Quando um entrava no território de outro, eles entravam numa briga sangrenta que apenas um permaneceria em pé.

Eu não sei como sobrevivi tanto tempo no habitat natural deles. Talvez pelo meu tamanho, devo ter passado desapercebida, mas ainda assim, aterrorizada com tudo que vi. Depois de tanto tempo escondida, eu já não tinha mais esperanças de retornar para minha casa. Sequer de sobreviver. Mas foi aí que eu vi!

O tal buraco que me trouxe àquela terra estranha resolveu aparecer novamente, feito mágica! Eu não poderia perder aquela chance, havia dias que eu sequer comia ou bebia... E a falta que eu sentia de casa, estava aos poucos me consumindo. Mas aquele portal era minha chance de retornar!


Como fui idiota!



Corri para alcançá-lo! Parecia que aquelas bestas gigantes estavam tão interessadas naquele portal quanto eu. A minha sorte foi que eles estavam tão preocupados se confrontando e arremessando meteoros um no outro, que eu pude contorná-los e chegar no portal. Mas quando finalmente o atravessei, acordei em uma região tropical, sem memórias de quem eu era. Sem ninguém que eu conhecesse para pedir socorro. Não era uma terra tão esquisita quanto a que eu acabara de sair - não que eu me lembrasse daquele inferno, mas de alguma forma eu sabia que não era a minha casa.


Lá, fui encontrada por aqueles que me chamaram de Faller. Eles disseram que eu era especial.

Especial...



Tudo porque eu atraía aqueles que eu queria distância! 
Aquelas criaturas bizarras. Elas sentiam meu cheiro, ou algo assim.



Eles me colocaram numa equipe, com aqueles dois. Eles disseram que precisavam investigar o que aquela estranha criatura era capaz de fazer. Queriam estudá-la. Eu podia não lembrar, mas eu sabia que aquela criatura não nos daria essa chance.

Foi naquela noite... Naquela ilha que parece ser deserta... Na mesma que eu acordei quando vim para aquela região. A noite chegou tão depressa que, quando a notamos, o céu já estava radiante novamente. Mas dessa vez, a luz vinha de um portal que se abriu no céu da ilha.


Aquela criatura enorme seguiu pelo portal e parecia ter sentido a minha presença. Eles disseram que o Pokémon que me emprestaram era o suficiente para minha proteção, já que aquela besta não deveria me machucar, ela só parecia querer reconhecer o cheiro de sua terra estranha, da qual eu estive. 

Como aquele Pokémon poderia ajudar alguém que nunca usou um para batalhar?
Como poderiam confiar numa besta como aquela?
Eu era apenas uma isca. Naquela hora, eu sabia disso. Mas eles me prometeram que iriam cuidar de mim. Eles iriam me proteger. 

ELES DEVIAM ME PROTEGER!!


Mas não protegeram...




Agora eu me lembro. Me lembro de tudo.
Aquele cara. Ele ficou lá, apenas encarando com os olhos arregalados.
A criatura me agarrou com sua garra! Ela me apertava cada vez mais e eu não conseguia me soltar. 
Até que ele me ajudou. Eu acho que o nome dele... Era Nanu!
Enquanto o outro continuou lá, parado, foi o Nanu quem mandou que aquele Pokémon que ele havia me emprestado, fosse me defender. Ele ordenou um ataque, mas a criatura era esperta. Ao se aproximar, ela me jogou para longe e não deixou-o atacar com um golpe super-efetivo!



Foi uma batalha assustadora. A criatura pisoteou o Pokémon, que era mais lento, então acabou hesitando em atacar. Enquanto estava em cima do Pokémon, o pisoteando, a criatura deu um salto incrivelmente alto, jogando então todo o seu corpo no que pareceu ser um golpe pesado super efetivo. Ela apenas devorou o Pokémon dele, depois que viu que estava desmaiado. Engoliu em uma única bocada! Mas foram tantas mordidas... Eu lembro do barulho dos ossos quebrando até agora.


Mas a criatura não estava satisfeita. Ela nunca estava.

Eu já não conseguia me levantar. Meu corpo doía demais com a pancada que levei quando a criatura me jogou. Foi fácil ela chegar até mim, já que eu não conseguia me levantar.
Ela me agarrou de novo e eu lutava desesperadamente para me livrar daquele destino horroroso, mas a criatura ficou mais forte depois que devorou o Granbull!
O dono do Pokémon, mesmo em luto, correu para me ajudar... mas já era tarde.


As garras do Guzzlord já haviam me dilacerado.

Ele arrancou minha perna esquerda primeiro. Talvez para ter certeza que eu não correria, como se eu sequer tivesse chances.
Eu sentia tudo.
Toda aquela dor que passava por meu corpo inteiro.
Todo o desespero do Nanu em não poder fazer nada.
Então, eu lembrei...
Lembrei de todo o amor da minha mãe.
E de toda a saudade dos carinhos dos meus Pokémon.

E aí...
Eu parei de sentir.
Não sentia mais nada.
Nem mais o batimento do meu coração...


Mas, enquanto a besta mastigava meus ossos, tinha algo que eu não conseguia parar de sentir.
Algo me consumiu mais que toda a dor, o desespero e a saudade que eu sentia.
Só existia ódio naquela escuridão.
Todo o ódio que eu sentia daquele... daquele cara.
Ele havia passado pela mesma situação que eu!
Passou por um portal assim como eu!
Ele sabia que aquelas criaturas não são confiáveis...
E mesmo assim me fez ir atrás delas!
Ele poderia ter me ajudado!
Ele devia ter me ajudado...


Não, você não é aquele...


Aquele que me deixou morrer...



Você pode ter se esquecido.
Mas eu nunca me esquecerei de você!
Eu sei que você está na minha cidade natal.
Então eu ficarei aqui até te encontrar!

Nem que seja a última coisa que eu faça...
Looker!




Essa história foi escrita, inspirada nas histórias de Looker e Nanu, na estatueta do Granbull que fica no posto policial em Hau'oli, bem como na garota fantasma de Lumiose City e nos Skiddos perdidos. Para conhecer mais histórias do post-game de Sun e Moon que você talvez não conheça, traduzidas para o português, clique aqui. Se você gostou dessa história e quer conferir uma teoria sobre quem poderia ter sido a protagonista dessa história, clique aqui.


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